No fim de 1998 era lançado no Japão o último console da Sega: o Dreamcast. Uma das novidades era seu memory card cheio de onda, conhecido como Visual Memory Unit, ou VMU para os íntimos. Explicando de maneira geral, ele era como um Brick Game, só que bem menor e bem melhor. Você salvava seus jogos nele e dependendo do título era possível ter acesso a alguns minigames e animaçõezinhas 8bit.
Avançando alguns meses no futuro chegamos ao comecinho de 1999, onde a Terra se preparava para o Armageddon que aconteceria em agosto. A grande (ou nem tanto) novidade era o PocketStation que era basicamente um primo bem próximo do VMU da Sega. A única diferença é que esse aparelhinho ficou um tanto obscuro, e é por isso que eu estou trazendo-o hoje a este blog.
Conheçam o PocketStation e a sua história.
Nascido a vinte e três de janeiro de mil novecentos e noventa e nove, cor branca (ou transparente); gênero desconhecido; ocorrido em Tóquio, Japão; filho da Sony Computer Entertainment; ganhou ainda mais duas cores: preto e rosa.
Alimentado por uma bateria de lítio de 3V, trazia uma pequena telinha de 32x32px onde se podiam jogar minigames, e é aí que a coisa ficava divertida.
Não foram inúmeros os títulos compatíveis, mas alguns nomes chamam atenção, como o clássico Final Fantasy VIII, onde era possível baixar um minigame e ir levelando (palavra horrível) os personagens em qualquer lugar. Melzinho na chupeta, não? Quer mais? Então aí vai: O onipresente Ridge Racer permitia trocar carros com seus amigos; Metal Gear Solid: Integral permita o download de um minigame. Street Fighter Alpha 3 permitia que você jogasse o simpaticíssimo Pocket Alpha 3. E a galera do RPG não ficou só com FFVIII, o incontestável Grandia também teve conteúdo para o Playstation anão, como relata esta notícia de abril de 1999 no Gamespot.
Além da função de jogo, o PocketSation também tinha
infravermelho, fazia barulhinho e ainda era um incrível relógio! Aliás, esse relógio poderia ter ajudado na pontualidade da Sony, que deveria ter lançado o pequenino ainda em 1998.
Saindo de uma tiragem de 60.000 aparelhos, o PocketStation teve sua morte decretada em 2002, com uma estimativa de 5 milhões de unidades vendidas. Pode-se dizer que foi um sucesso, ainda mais levando em conta que ele nunca viu o sol nascer neste lado do planeta.
Se você não tem uma cópia deste filhote de Gameboy com Tamagochi e nem um Playstation japonês não precisa ficar triste, pois desde 2009 existe um emulador para ele, chamado PK201. Infelizmente não há integração entre ele e o ePSXe, o emulador mais famoso de Playstation, e, ao que parece, não há sequer planos para algo do tipo, mas... já dá pra matar a curiosidade.
E essa foi uma pequena parte da história de uma época em que os memory cards falavam com você. Fique ligado que, quem sabe, em breve o VMU dá as caras por aqui.
[Fotos: Brandon Shigeta e X_eON.]