2 de dezembro de 2011

Toma essa! Phoenix Wright ensina: como redigir uma defesa de tese.

AndorinhaPW_LaserDamage_by_AlbusNoir

Contextualizando – Phoenix Wright: Ace Attorney é uma franquia de jogos na qual, Phoenix, um advogado de defesa, tenta, aos trancos e barrancos, provar a inocência de seus clientes. E, neste dia em que alguns assistem ao de sempre na televisão, outros se esbaldam no novetranqueira e alguns se matam de estudar, convocamos a Andorinha e sua caneta do poder lunar para uma programação especial. Decidimos bancar o Mister M e mostrar a grande mensagem subliminar destes jogos: ensinar o processo lógico de redação de uma defesa de tese. Sim, senhores. Sigam-me os bons!

Tudo começa com uma tese. Para Phoenix Wright, ela é uma afirmação bastante simples: meu cliente é inocente. Há uma dada situação, um determinado contexto, um conjunto de fatos que parecem apontar para uma direção específica, que é plausível, da qual Phoenix discorda. Esse é o trabalho dele.

Algo importante a se notar é que o nosso advogado de cabelo porco espinho só aceita clientes em cuja inocência ele acredite (por mais que todos os indícios levem a crer no oposto). Assim, a tarefa não é descobrir se o cliente é inocente, mas assumindo que ele não seja culpado, provar sua inocência ao júri. É assim que vamos encarar nossa tese.

PhoenixWright_HoldIt_LaserDamageAcreditando na validade do seu pressuposto, o Sr. Wright parte em busca de informações: detalhamento do crime, local, horário, laudo médico; perfil do acusado (seu cliente); testemunhas; pistas e todo tipo de coisa que possa esclarecer os acontecimentos.

Nós, que estamos tentando saber o que dizer, iremos procurar artigos, livros, textos de fonte confiável e com alguma credibilidade que tratem do nosso tema. Em alguns casos, faremos entrevistas, testes, experimentos, mas – basicamente – nossa pesquisa pode ser descrita da mesma maneira: coletar informações.

Munido de evidências, pistas, suspeitas e toda sorte de dados, Phoenix ruma para o tribunal onde enfrentará a promotoria. O advogado de acusação, obviamente, acredita que o réu é culpado e, querendo vê-lo condenado, também se colocou a par da situação, da existência de algumas evidências, do laudo médico e, assim como Wright, tem algumas cartas escondidas na manga.

Para nós, a promotoria é – na maioria dos casos – algo impreciso, imaterial, nem sempre personificado sob uma única figura, mas está lá. A promotoria que nós enfrentamos é o conjunto de autores, pessoas e, às vezes, o senso comum que acreditam e/ou escreveram justamente o contrário daquilo que estamos tentando defender. Devemos conhecê-los, bem como seus argumentos.

Perante a corte, então, advogado de defesa e de acusação confrontam-se, cada um tentando obter um veredito favorável à sua causa. Testemunhas serão convocadas e Phoenix irá examinar seus depoimentos, à procura de contradições. Nem sempre, no entanto, será fácil de perceber as incongruências, Wright terá de pressionar estas testemunhas para que elas tropecem nas próprias mentiras e, durante o processo, nosso advogado se apoiará nas evidências.

Mais claro que isso, só dizendo diretamente: averiguar os dados à nossa disposição, procurando pontos de incongruência nos quais possamos nos apoiar e demonstrar a fragilidade do discurso, enaltecendo aquele por nós defendido. Importante aqui é explicitar adequadamente os argumentos para que fiquem bem encadeados e façam sentido. Saber qual evidência contradiz que afirmação é muito importante. Ou seja, é imperativo saber que autores e argumentos confrontar.

PhoenixWright_TakeThat__LaserDamageNo jogo, um detalhe relevante quanto à apresentação de evidências é que, antes do julgamento, uma lista delas é divulgada e Phoenix não pode simplesmente atirá-las ao juiz quando quiser. Somente quando ele puder provar a relação daquela evidência com o caso e sendo ela crucial para a solução do mesmo, poderá ele tirar suas cartas da manga. O mesmo servirá para nós. Afinal, de que adianta simplesmente divagar? Se não houver propósito, por mais lindamente composto, é melhor arrancar o parágrafo.

O processo é sempre conturbado. Surpresas pulam de todo canto nos momentos mais inesperados e Phoenix Wright acaba, muitas vezes, se sentindo encurralado. Por isso, ele conta com sua assistente. Daí, tiramos quão positivo é ter por perto alguém que nos motive, dê um puxão de orelha ou ajude com indicações. Esse alguém provavelmente será um número de pessoas que vão do seu orientador, amigo confiável, parentes, parceiro(a) e sabe-se lá mais quem. O importante é sobreviver. Não desista.

Quando, finalmente, o Sr. um pouco lento Wright soluciona o caso, ele acaba tendo que repetir tudo pro juiz, resumidamente. Tanta informação, sabe como é, ele se confunde. Eventualmente, nós teremos de fazer o mesmo. Depois de algumas páginas descrevendo, argumentando e desenvolvendo o que estava posto desde o início, teremos que fazer uma síntese explicativa, a tal da conclusão.

Se fizermos tudo direitinho, no final das contas, os nossos juízes (banca examinadora e demais leitores) poderão até discordar, mas terão de aceitar a validade da tese e reconhecer o sucesso da defesa.

PhoenixWright_Objection__LaserDamage

Agora que já sabemos como é, só falta escrever. XD

 

 

AndorinhaPWAproveitando o novo vestuário da andorinha,

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